Se você busca um destino que combine história colonial preservada, montanhas de cores surreais e uma gastronomia de dar água na boca, Salta, na Argentina, é o lugar perfeito para sua próxima viagem.
Localizada no coração do Noroeste Argentino (NOA), a província carinhosamente apelidada de "La Linda" oferece uma experiência cultural profunda, muito diferente da agitação de Buenos Aires.

De vinhedos de altitude a desertos de sal que tocam o céu, Salta é um convite à contemplação e à aventura.
Neste guia, você descobrirá o que fazer em Salta, desde os pontos turísticos clássicos do centro histórico até os roteiros imperdíveis pelos arredores, como Cafayate e o Trem das Nuvens.
Além disso, preparamos dicas práticas essenciais sobre a melhor época para visitar, como chegar à região e quais são os documentos obrigatórios para garantir que sua travessia pela fronteira seja tranquila.
Prepare-se para se apaixonar por um dos segredos mais bem guardados da América do Sul.
Onde fica, como chegar e melhor época para ir a Salta
Para planejar uma viagem inesquecível ao Noroeste Argentino, o primeiro passo é entender a logística e o clima da região.
Salta oferece uma experiência muito diferente da cosmopolita Buenos Aires ou da gélida Patagônia, exigindo um planejamento específico. Salta é a capital da província de mesmo nome, localizada no Noroeste da Argentina (NOA).

A cidade está situada no montanhoso Vale de Lerma, a uma altitude de aproximadamente 1.187 metros acima do nível do mar, aos pés da Cordilheira dos Andes.
Ela faz fronteira com o Chile, Bolívia e Paraguai, o que a torna um caldeirão cultural com forte influência andina. Existem três formas principais de acessar a cidade, dependendo do seu ponto de partida:
- Via Aérea: O Aeroporto Internacional de Salta Martín Miguel de Güemes (SLA) é a principal porta de entrada. Recebe voos diretos diários de Buenos Aires (Aeroparque e Ezeiza) com duração de cerca de 2h15. Também há conexões sazonais com outras cidades argentinas (como Córdoba e Mendoza) e voos internacionais vindo de cidades como São Paulo ou Assunção (consulte disponibilidade da temporada).
- Via Terrestre (Ônibus): A Argentina possui uma malha de ônibus de longa distância excelente. A Rodoviária de Salta recebe veículos de todo o país. É uma opção comum para quem vem de San Salvador de Jujuy ou de destinos no norte do Chile (como San Pedro de Atacama).
- De Carro: Muitos viajantes optam por alugar um carro para explorar a região. A principal via de acesso a partir do sul é a Ruta Nacional 9.
A escolha da melhor época para visitar Salta depende diretamente do tipo de experiência que você busca, mas, de maneira geral, o período ideal compreende as estações intermediárias do outono e da primavera.
Entre os meses de abril a junho e de setembro a novembro, o viajante encontra o equilíbrio perfeito com dias ensolarados, céu extremamente azul e temperaturas agradáveis que facilitam tanto as caminhadas pelo centro histórico quanto os trajetos de carro pelas estradas sinuosas da região.
É nestes períodos que a visibilidade das paisagens andinas está em seu auge, sem o risco das tempestades que costumam atingir o norte argentino durante o verão.
Embora o inverno, entre julho e agosto, seja considerado alta temporada devido às férias escolares, ele traz um clima seco e dias de sol radiante, mas exige atenção redobrada com o frio intenso durante a noite e a madrugada, especialmente nas cidades de maior altitude como Cachi e Purmamarca.
Já o verão, de dezembro a março, é a época menos recomendada para quem pretende explorar as estradas de terra ou as Salinas Grandes, pois as chuvas frequentes podem causar bloqueios em rotas importantes e turvar o cenário fotográfico.
Portanto, para garantir que as "quebradas" e as cores das montanhas estejam em sua forma mais vibrante e acessível, priorize os meses de meia-estação, quando o clima é mais estável e a região revela por que é carinhosamente chamada de Salta.
Por que visitar Salta, no Noroeste Argentino?
Visitar Salta é mergulhar na alma mais autêntica e preservada da Argentina. Enquanto Buenos Aires encanta pela sua atmosfera europeia, Salta cativa pelo orgulho de suas raízes hispânicas e indígenas, oferecendo uma combinação rara de arquitetura colonial impecável, tradições folclóricas vivas e paisagens naturais que parecem pertencer a outro planeta.
Conhecida carinhosamente como "La Linda", a cidade serve como a porta de entrada para o Noroeste Argentino (NOA), uma região onde o tempo parece correr em outro ritmo e a hospitalidade do povo local transforma qualquer passeio em uma experiência acolhedora.
Um dos maiores atrativos da província é a sua diversidade geográfica impressionante. Em poucos quilômetros, é possível transitar de vales férteis e vinhedos de altitude em Cafayate para a imensidão branca das salinas e as formações rochosas avermelhadas das quebradas.
Além do espetáculo visual, a cultura salteña se manifesta com força na gastronomia e na música; as "peñas" folclóricas são o coração pulsante da vida noturna, onde visitantes e locais se reúnem para compartilhar empanadas premiadas e vinhos torrontés ao som de violões e bombos.
Seja pela riqueza histórica de seus museus, pela espiritualidade das comunidades andinas ou pela aventura de cruzar os Andes no Trem das Nuvens, Salta oferece um destino completo, econômico e visualmente impactante para todos os perfis de viajantes.
O que fazer em Salta: pontos turísticos omperdíveis

Explorar Salta é caminhar por séculos de história preservada. A cidade consegue manter um equilíbrio raro entre o agito de uma capital moderna e o charme de uma vila colonial. Abaixo, listamos os lugares que não podem ficar de fora do seu roteiro:
Centro Histórico e a Plaza 9 de Julio
O coração da cidade é a Plaza 9 de Julio, uma das praças mais bonitas e bem cuidadas de toda a Argentina. Cercada por palmeiras e edifícios históricos com arcadas, ela é o ponto de partida ideal para qualquer passeio.
Ali você encontrará a Catedral Basílica de Salta, com sua fachada rosa imponente e interior ricamente decorado, e o Cabildo Histórico, um edifício do período colonial que hoje abriga o Museu Histórico do Norte.
Sentar-se em um dos cafés sob as recovas da praça é o ritual obrigatório para observar o ritmo da cidade.
Museu de Arqueologia de Alta Montanha (MAAM)
Considerado um dos museus mais importantes da América do Sul, o MAAM é uma visita emocionante e educativa.
Ele foi criado para preservar e expor uma das descobertas arqueológicas mais fascinantes do mundo: as Crianças de Llullaillaco.
Trata-se de três crianças incas encontradas em 1999, preservadas pelo frio extremo no topo do vulcão Llullaillaco, a mais de 6.700 metros de altitude.
O museu utiliza tecnologia de ponta para exibir as múmias (uma de cada vez, em sistema de rotação) e os artefatos encontrados com elas, oferecendo uma aula profunda sobre a cosmologia e os rituais incas.
Cerro San Bernardo e o Teleférico
Para ter a melhor perspectiva da "Linda", você deve subir ao topo do Cerro San Bernardo.
A subida pode ser feita por uma escadaria de mais de mil degraus para os mais dispostos, mas a forma mais popular é o Teleférico, que parte do Parque San Martín.
Do alto, a vista panorâmica de Salta e do Vale de Lerma é de tirar o fôlego, especialmente durante o pôr do sol. No topo, há jardins, cascatas artificiais e uma feira de artesanato local.
Trem das Nuvens (Tren a las Nubes)
Uma das experiências ferroviárias mais altas do mundo, o Trem das Nuvens é uma obra-prima da engenharia que leva os turistas a mais de 4.200 metros de altitude.
Atualmente, o passeio combina um trajeto de ônibus saindo da cidade de Salta com o trecho final de trem, que atravessa o icônico Viaduto La Polvorilla.
A jornada oferece vistas cinematográficas da Puna argentina, passando por montanhas coloridas, vilarejos remotos e viadutos que parecem flutuar entre as nuvens.
Gastronomia Salteña: O que e onde comer
A gastronomia de Salta é, sem dúvida, um dos pilares da identidade cultural da região e um dos maiores atrativos para quem visita o norte da Argentina.
O grande destaque são as famosas empanadas salteñas, que se diferenciam das demais versões argentinas por serem menores, extremamente suculentas e tradicionalmente assadas em forno de barro; o segredo local está no uso da batata cozida no recheio e no toque de cominho e pimenta, sendo quase um pecado não acompanhá-las com o molho de pimenta llagua.
Além das empanadas, o paladar do viajante é provocado por pratos de origem andina que aquecem a alma, como o locro, um ensopado robusto de milho e feijão, a humita, que consiste em uma massa de milho fresco servida na própria palha, e os tamales, feitos com farinha de milho e carne desfiada.
Para adoçar a experiência, o doce de cayote com nozes é a sobremesa regional por excelência. No quesito bebidas, Salta é mundialmente reconhecida pela uva Torrontés, que produz vinhos brancos aromáticos e refrescantes, cultivados em vinhedos de altitude em Cafayate.
Para viver essa experiência gastronômica de forma completa, o local ideal é a Calle Balcarce, uma rua vibrante repleta de restaurantes e, principalmente, as tradicionais peñas folclóricas, onde a comida é servida ao som de bombos e violões em apresentações musicais ao vivo que se estendem pela madrugada.
Planejando sua viagem

Planejar uma ida a Salta exige atenção a detalhes contratuais e documentos que se tornaram indispensáveis para uma entrada tranquila no país.
Desde maio de 2025, o governo argentino estabeleceu que o seguro viagem é obrigatório para todos os turistas estrangeiros, incluindo brasileiros; a apólice deve ter cobertura médica mínima recomendada de US$ 30.000 e incluir repatriação sanitária, sendo exigida tanto na imigração terrestre quanto aérea.
Além do seguro saúde, para ingressar na Argentina você precisará apresentar o RG original (emitido há menos de 10 anos e em bom estado) ou o Passaporte válido — lembrando que a CNH e identidades profissionais não são aceitas para fins de imigração.
Para quem decide explorar as paisagens argentinas de carro, a logística aumenta: é obrigatório portar o seguro Carta Verde, uma proteção para danos a terceiros válida em países do Mercosul, que deve cobrir todo o período da estadia.
O condutor também deve portar a CNH física original, o documento do veículo (CRLV) e, caso o carro esteja no nome de outra pessoa ou empresa, uma autorização com firma reconhecida e apostilada.
No interior do veículo, a legislação argentina exige itens específicos como dois triângulos de sinalização, extintor de incêndio carregado, kit de primeiros socorros e um colete refletivo.
Em termos de tempo, reserve pelo menos 4 a 5 dias para conseguir visitar a cidade e fazer as principais rotas para Cafayate e as Salinas Grandes com calma, aproveitando cada curva das montanhas coloridas que fazem de Salta um destino inesquecível.


