Se você é do tipo que prefere um chocolate quente fumegante a um picolé derretendo, bem-vindo ao clube! Hoje preparei um artigo para você que senhora em conhecer paisagens cobertas de neve, montanhas que tocam o céu e aquela sensação de aconchego que só o frio proporciona.
Destinos Frios no Brasil: Surpreendentemente Gelados
Muita gente não sabe, mas o Brasil tem destinos que chegam a registrar temperaturas negativas. Sim, você leu certo: negativos! Não é só aquele "friozinho" de 20 graus que paulista chama de inverno. Estamos falando de frio de verdade, do tipo que faz seu nariz doer quando você respira fundo.
Existem algumas cidades brasileiras que levam o frio tão a sério que conseguem competir com destinos internacionais quando o assunto é temperatura baixa. Estas são as campeãs absolutas, os lugares onde o termômetro não tem medo de mergulhar nos negativos e ficar por lá.
1. Urupema, Santa Catarina: A cidade mais fria do Brasil
Imagine acordar numa manhã de julho e ver o termômetro marcando -8 graus. Agora imagine que isso não é exceção, é praticamente rotina. Bem-vindo a Urupema, a cidade mais fria do Brasil, um lugarzinho pacato encravado na serra catarinense que parece ter sido esquecido pelo tempo.
Urupema tem autenticidade. São pouco mais de 2.500 habitantes que vivem suas vidas tranquilas enquanto o resto do Brasil se derrete no calor. As ruas principais ainda têm aquele ar de interior de verdade, com casas simples de madeira que soltam fumaça pelas chaminés nos dias mais frios.

Mas o grande espetáculo de Urupema acontece num lugar que parece ter sido cenário de algum filme de fantasia: a Cachoeira do Rio do Mato. Durante os picos de frio do inverno, esta cachoeira literalmente congela.
Estou falando de formações impressionantes de gelo que transformam a queda d'água numa escultura natural. A água que deveria estar caindo fica suspensa no tempo, cristalizada, criando um cenário tão surreal que você precisa ver para acreditar.
Para chegar até a cachoeira congelada, prepare-se para uma caminhada que exige preparo físico moderado. O frio cortante torna tudo mais desafiador, mas quando você finalmente chega lá e vê aquele espetáculo da natureza, entende que cada passo valeu a pena.

A melhor época para visitar é entre junho e agosto, quando as temperaturas despencam para valer. Nos dias mais frios, não é raro ver geada cobrindo tudo como se alguém tivesse jogado açúcar de confeiteiro sobre a paisagem. Se você tiver muita sorte (e uma dose generosa de coragem para enfrentar o frio), pode até presenciar uma nevada.
2. São Joaquim, Santa Catarina
São Joaquim conquistou o coração dos brasileiros por um motivo simples: é o lugar mais confiável do país para ver neve. Enquanto outras cidades têm neve esporadicamente, São Joaquim oferece boas chances todo inverno, especialmente entre junho e agosto.
Mas a cidade é muito mais do que apenas um lugar frio. Nos últimos anos, São Joaquim passou por uma transformação impressionante e se tornou um dos principais polos de enoturismo do Brasil.
Vinícolas de altitude brotaram pela região, aproveitando o clima frio e a altitude elevada para produzir vinhos que têm surpreendido até os críticos mais exigentes. Rótulos de São Joaquim começaram a ganhar prêmios internacionais, colocando a cidadezinha catarinense no mapa mundial do vinho.

O Morro da Igreja é parada obrigatória. Lá fica a famosa Pedra Furada, uma formação rochosa natural que virou cartão-postal da região. A paisagem do alto do morro é de cortar a respiração: montanhas se estendem até onde a vista alcança, e quando a neve cobre tudo, você jura que está nos Alpes europeus. Agende sua visita e prepare para a ventania!

São Joaquim também investe pesado em festivais e eventos gastronômicos. O Festival da Maçã e o Festival Nacional do Pinhão atraem milhares de visitantes todos os anos. São oportunidades únicas para experimentar a culinária local, com pratos que combinam ingredientes da serra com técnicas contemporâneas.
A infraestrutura turística da cidade cresceu consideravelmente. Hoje, você encontra desde pousadas simples e acolhedoras até hotéis boutique sofisticados, restaurantes que levam a gastronomia serrana a sério, e até uma cervejaria artesanal que produz rótulos usando água pura das nascentes da região.
3. São José dos Ausentes, Rio Grande do Sul
Se você quer saber como é estar no topo do mundo (ou pelo menos do Rio Grande do Sul), vá para São José dos Ausentes. Esta cidade é um dos pontos mais altos e frios do estado, um lugar onde o vento sopra com força e a natureza mostra quem manda.
Diferente dos destinos mais badalados, Ausentes tem um charme rústico e autêntico que está se tornando cada vez mais raro. Aqui não tem shopping centers nem restaurantes de rede. O que tem são pousadas de fazenda onde você acorda com o cheiro de pinhão torrado e café preto forte, onde o jantar vem servido em panelas de ferro direto do fogão a lenha.
Os Cânions da região são o grande atrativo natural. O Cânion do Índios Coroados, por exemplo, é uma formação geológica impressionante com paredes que despencam centenas de metros. Quando o nevoeiro cobre a região (o que acontece frequentemente), a sensação é de estar literalmente caminhando nas nuvens.

As trilhas em Ausentes exigem um pouco mais de preparo físico e disposição para enfrentar o frio. Não é raro começar uma caminhada com 15 graus e terminar com 5, porque o tempo muda rapidamente na altitude. Mas para quem gosta de natureza bruta e não tem medo de sair da zona de conforto, é paraíso absoluto.
A gastronomia local é simples mas reconfortante. Pinhão preparado de todas as formas possíveis (cozido, assado, na sopa, em farofa), carnes de gado criado solto nos campos, queijos artesanais produzidos nas fazendas da região.
Uma curiosidade: o nome "Ausentes" vem de uma planta nativa da região, a erva-ausente, não porque as pessoas estão ausentes (embora a densidade populacional seja mesmo baixa). A cidade tem menos de 3.000 habitantes, o que garante tranquilidade absoluta.
O Frio Confortável: destinos aconchegantes
Nem todo mundo quer enfrentar temperaturas negativas e riscos de hipotermia. Algumas pessoas preferem o frio na medida certa: aquele que é suficiente para justificar um casaco bonito, uma lareira acesa e um chocolate quente, mas que não exige equipamento de sobrevivência ártica.
Para esses viajantes, estes destinos oferecem exatamente isso: combinação de temperaturas agradavelmente baixas com infraestrutura turística de primeira linha.
4. Gramado, Rio Grande do Sul
Gramado não precisa de apresentações, mas merece ser redescoberta. Sim, é o destino de inverno mais famoso do Brasil. Sim, lota no mês de julho. Mas tem um motivo para isso: poucas cidades brasileiras conseguem criar uma atmosfera de inverno tão completa e envolvente.

Sem exageros, caminhar pelo centro de Gramado no inverno é como entrar num filme de Natal. As árvores da Rua Coberta estão decoradas com milhares de luzinhas, o cheiro de chocolate flutua no ar vindo das inúmeras chocolaterias, e sempre tem uma lareira acesa em algum café convidando você a entrar.
Mas aqui vai um segredo que poucos turistas conhecem: o verdadeiro encanto de Gramado está fora do centro lotado. Nas linhas rurais que cercam a cidade, você encontra experiências de agroturismo que são muito mais autênticas e menos cheias. Pequenos produtores abrem suas porteiras para receber visitantes, oferecendo degustações de queijos artesanais, geleias caseiras, vinhos coloniais e até mesmo participação em atividades da fazenda.
O Festival de Chocolate, que acontece geralmente em julho, transformou Gramado na capital brasileira do cacau. Não estamos falando só de chocolates industriais, mas de criações artesanais que rivalizam com o que você encontraria na Suíça ou na Bélgica.

5. Canela, Rio Grande do Sul
A apenas sete quilômetros de Gramado fica Canela, que muita gente visita como um apêndice do roteiro mas que merece ser destino por si só. Canela tem uma personalidade diferente da vizinha: é um pouco mais tranquila, um pouco mais verde, um pouco mais conectada com a natureza.

A Catedral de Pedra é provavelmente a igreja mais fotografada do sul do Brasil, e com razão. Esta construção gótica feita em pedra basáltica se ergue majestosa no centro da cidade, contrastando de forma dramática com o céu geralmente nublado do inverno.
Por dentro, os vitrais coloridos criam um jogo de luzes que muda conforme a hora do dia. Vale a pena assistir a uma missa lá, mesmo que você não seja religioso, só pela experiência acústica da música ecoando pelas paredes de pedra.

O Parque do Caracol é o cartão-postal natural de Canela. A Cascata do Caracol despenca 131 metros numa queda livre impressionante, cercada por araucárias centenárias.
Uma escadaria com 927 degraus leva até a base da cachoeira (e sim, você vai sentir nas pernas na volta). No inverno, o volume de água costuma ser menor, mas isso torna a experiência ainda mais especial porque você consegue ver melhor a formação rochosa por onde a água cai.
Canela também tem uma cena gastronômica que vem crescendo silenciosamente. Restaurantes comandados por chefs jovens estão trazendo técnicas contemporâneas para ingredientes da serra gaúcha.

O Parque da Ferradura oferece uma vista panorâmica do cânion homônimo, com uma curva quase perfeita do Rio Santa Cruz. Fotógrafos chegam antes do nascer do sol para capturar a luz dourada banhando o cânion.
A Alpen Park, maior parque de montanha do Brasil, oferece atividades para quem quer um pouco de adrenalina mesmo no frio: tirolesas, arvorismo, trenó sobre trilhos (tipo montanha-russa alpina), teleférico. É diversão para toda a família, e muitas atrações ficam ainda mais emocionantes quando está frio.
6. Campos do Jordão, São Paulo
Campos do Jordão é a resposta de São Paulo para Gramado. Localizada na Serra da Mantiqueira, a cidade se transformou no refúgio de inverno preferido de quem mora na capital paulista e quer escapar da rotina sem precisar pegar avião.

A Vila Capivari é a principal cidade, especialmente no inverno. É uma concentração de restaurantes, bares, lojas de malha, chocolaterias e ateliês de artesanato que fica lotada nos fins de semana de julho. Mas mesmo com as multidões, há algo encantador em caminhar por ali com as mãos no bolso, sentindo o frio no rosto, decidindo em qual restaurante vai entrar para comer um fondue.
O que muita gente não sabe é que Campos do Jordão tem uma cena cultural fortíssima. O Festival de Inverno, que acontece em julho, é um dos mais importantes eventos de música clássica da América Latina.
O Morro do Elefante oferece a melhor vista panorâmica da cidade. Um teleférico te leva até o topo, onde fica uma torre de observação de onde você vê Campos do Jordão inteira e as montanhas ao redor. Nos dias claros, a vista alcança vários quilômetros. Tem um restaurante lá em cima que serve um fondue decente enquanto você aprecia a paisagem.

O bairro do Horto Florestal é onde fica o Palácio Boa Vista, residência oficial do governador de São Paulo e que funciona como museu durante o ano. Os jardins são lindamente cuidados, e a coleção de arte brasileira dentro do palácio é surpreendentemente boa. É um passeio mais tranquilo, ideal para quem quer fugir um pouco da agitação do centro.
Campos do Jordão também está investindo em breweries artesanais. A altitude e a água pura das nascentes criam condições ideias para produção de cerveja, e algumas microcervejarias locais já produzem rótulos excelentes. Você pode até fazer tours pelas fábricas, aprender sobre o processo de produção e, claro, degustar as cervejas geladas (ironia deliciosa no meio do frio).
Agora, para casais, Campos do Jordão é um dos destinos mais românticos do Brasil. Pousadas charmosas com lareiras nos quartos, restaurantes com iluminação intimista, passeios a cavalo pelas trilhas da Mantiqueira, e aquela atmosfera geral de aconchego que convida ao romance.
7. Monte Verde, Minas Gerais
Monte Verde parece ter sido arrancado dos Alpes e transplantado para Minas Gerais. Este distrito de Camanducaia se tornou um dos destinos românticos mais procurados do Sudeste, e é fácil entender por quê quando você chega lá.
A arquitetura predominantemente alpina cria um clima europeu que beira o surreal. Chalés de madeira com telhados de duas águas, varandas floridas, cercas pitorescas cercando jardins cuidados. Mesmo as construções mais novas seguem esse padrão, criando uma harmonia visual que faz você esquecer que está no Brasil.

Mas Monte Verde não é só para ficar dentro de casa. A trilha da Pedra Redonda é a mais famosa, e por bom motivo. Você caminha por cerca de 40 minutos subindo a montanha, e quando chega ao topo, está literalmente acima das nuvens. Em dias de névoa (que são comuns), você vê um mar de nuvens abaixo de você, com apenas os picos das montanhas mais altas emergindo aqui e ali.
O amanhecer na Pedra Redonda é uma experiência quase espiritual. Muitos aventureiros sobem ainda no escuro, usando lanternas, para chegar ao topo antes do sol nascer. Quando os primeiros raios dourados começam a iluminar o mar de nuvens, transformando tudo em tons de laranja e rosa, você entende por que as pessoas acordam às cinco da manhã e enfrentam o frio cortante para estar ali.

E, claro, a gastronomia de Monte Verde é outro destaque. Restaurantes aconchegantes servem desde fondues clássicos suíços até criações mais ousadas com ingredientes locais.
Tem lugares que fazem uma truta defumada sensacional, pescada ali pertinho e preparada com técnicas artesanais. Outros apostam em cozinha contemporânea, desconstruindo pratos tradicionais e reapresentando com uma pegada moderna.
As lojinhas de artesanato local vendem desde peças de tricô feitas à mão até geleias artesanais de frutas da região. É um convite para comprar presentes genuínos, feitos com cuidado, que carregam um pedaço do lugar.
Monte Verde também tem algumas opções interessantes de hospedagem. Desde pousadas românticas com ofurôs privativos até chalés equipados para famílias, a infraestrutura cresceu mantendo o charme. Muitas pousadas servem café da manhã colonial mineiro, com pães caseiros, queijos da região, geleias artesanais, bolos ainda quentinhos do forno.
Destinos em Ascensão: Novidades Para 2026
O mundo do turismo de frio está sempre evoluindo, e alguns lugares estão saindo da obscuridade para se tornarem os queridinhos dos viajantes que buscam experiências autênticas longe das multidões. Estes são os destinos que você vai querer visitar agora, antes que todo mundo descubra e eles percam aquele charme de "segredo bem guardado".
8. Espírito Santo do Pinhal, São Paulo
Se você ainda não ouviu falar de Espírito Santo do Pinhal, anote esse nome porque vai ouvir muito nos próximos anos. Esta cidade da Serra da Mantiqueira paulista está se tornando rapidamente o novo destino de enoturismo de alta qualidade do Brasil, e quem visita agora pega o lugar ainda tranquilo, antes da multidão descobrir.

As vinícolas de Pinhal estão produzindo vinhos que têm surpreendido críticos nacionais e internacionais. A altitude elevada, as variações de temperatura entre dia e noite, e o terroir único da região criam condições excepcionais para viticultura. Alguns produtores trouxeram expertise de regiões vinícolas europeias e estão aplicando técnicas de ponta em solo brasileiro.
Visitar as vinícolas aqui é uma experiência completamente diferente dos grandes produtores consolidados. São empreendimentos menores, muitos ainda familiares, onde você é recebido pelo próprio produtor. Ele te leva pessoalmente pelos vinhedos, explica as decisões que tomou no plantio, mostra a cave onde os vinhos envelhecem em barricas de carvalho francês, e depois convida você para uma degustação onde cada taça vem acompanhada de histórias.
O melhor de tudo? Muitas dessas vinícolas ainda não exigem agendamento com meses de antecedência. Você pode literalmente aparecer e ser recebido de braços abertos. É uma informalidade elegante, uma hospitalidade genuína que está se tornando rara no mundo do vinho.

A paisagem de Pinhal realmente lembra a Toscana italiana. Colinas suaves cobertas de vinhedos, ciprestes pontuando a paisagem, casarios de pedra, luz dourada que parece pintada à mão. No inverno, quando a vegetação fica mais seca e dourada, a semelhança é ainda mais impressionante.
A cidade em si é charmosa de um jeito discreto. Não tem a ostentação de destinos mais famosos, e isso é refrescante. Restaurantes acolhedores servem cozinha italiana autêntica (a colonização italiana deixou marcas profundas na região), cafés servem doces caseiros, e você pode caminhar pelas ruas tranquilas sem enfrentar multidões.
Para 2026, algumas vinícolas estão planejando expandir suas estruturas, criando restaurantes próprios onde todo o menu é pensado para harmonizar com os vinhos da casa. Outras estão investindo em experiências de enoturismo mais completas, com hospedagem dentro das propriedades, permitindo que você acorde literalmente dentro de um vinhedo.
9. Serra da Canastra, Minas Gerais

A Serra da Canastra é conhecida nacionalmente pelo Queijo Canastra, patrimônio cultural brasileiro, e pela nascente histórica do Rio São Francisco. Mas poucos sabem que o inverno na Canastra oferece uma experiência completamente diferente (e alguns diriam superior) ao verão.
Durante o inverno, a região passa por uma estação seca marcante. As cachoeiras, que no verão são caudalosas e impressionantes, ficam com volume menor, mas isso tem suas vantagens. Trilhas que seriam escorregadias e perigosas ficam seguras e confortáveis. Os rios que seriam impossíveis de atravessar tornam-se caminhos fáceis. É a época perfeita para exploração.

Mas o verdadeiro espetáculo do inverno na Canastra acontece quando o sol se põe. A combinação de altitude elevada, ar seco, e ausência quase total de poluição luminosa cria condições perfeitas para observação astronômica.
O céu estrelado da Canastra é de tirar o fôlego. A Via Láctea se estende de horizonte a horizonte, tão clara e brilhante que você jura poder tocar nela. Planetas são visíveis a olho nu, estrelas cadentes cruzam o céu regularmente, e se você tiver um binóculo ou telescópio simples, pode ver coisas que a maioria das pessoas só vê em fotos.
Algumas pousadas na região começaram a oferecer experiências de astronomia, com guias que explicam constelações, contam histórias mitológicas associadas às estrelas, e ajudam você a identificar planetas e outros corpos celestes. Para quem nunca olhou para o céu longe da cidade, é uma revelação que pode mudar sua perspectiva sobre o universo.
As queijarias artesanais da região são parada obrigatória. O Queijo Canastra de verdade, maturado nas condições específicas da serra, tem um sabor complexo e profundo que não tem nada a ver com o que você compra em supermercado.
Muitos produtores abrem suas portas para visitantes, explicando o processo tradicional de produção que foi passado de geração em geração. Você vê o leite sendo coalhado, a massa sendo trabalhada à mão, os queijos sendo curados nas prateleiras de madeira.
A Cachoeira Casca D'Anta, que deságua o Rio São Francisco numa queda livre de 186 metros, é espetacular em qualquer época, mas no inverno tem um charme especial. O volume menor de água permite que você chegue mais perto da queda, e em dias de muito frio, a névoa da cachoeira congela nas pedras ao redor, criando formações de gelo delicadas.

A fauna da Canastra também é mais visível no inverno. O tamanduá-bandeira, símbolo do Parque Nacional, costuma ser visto com mais frequência nas trilhas. Lobos-guará, tatus-canastra, e uma infinidade de aves aparecem para quem tem paciência e sorte.
10. Cambará do Sul, Rio Grande do Sul
Cambará do Sul guarda alguns dos cenários mais dramáticos e impressionantes do Brasil. Os Cânions Itaimbezinho e Fortaleza são formações geológicas que impõem respeito absoluto. Paredes rochosas de mais de 700 metros de altura despencando em abismos profundos, vegetação nativa cobrindo os planaltos, cachoeiras surgindo do nada e desaparecendo na névoa.

O Cânion Itaimbezinho é o mais visitado, e por boa razão. Duas trilhas principais permitem explorá-lo: a Trilha do Vértice e a Trilha da Cachoeira. A primeira te leva ao mirante principal, de onde você tem uma visão panorâmica completa do cânion. Nos dias de névoa (e são muitos no inverno), você vê o abismo aparecer e desaparecer entre as nuvens, criando uma atmosfera mística e meio assustadora.
A Trilha da Cachoeira desce até o fundo do cânion, um percurso mais desafiador mas recompensador. Você caminha literalmente dentro do cânion, com aquelas paredes monumentais se erguendo dos dois lados, e chega a duas cachoeiras gêmeas que despencam das alturas. A sensação de pequenez diante da grandeza da natureza é avassaladora.
O Cânion Fortaleza é menos visitado mas igualmente impressionante, talvez até mais. O acesso é um pouco mais complicado, o que afasta os visitantes de um dia só, mas quem faz o esforço é recompensado com vistas ainda mais dramáticas.

De certos ângulos, você vê o cânion se estendendo por quilômetros, com camadas e camadas de rocha contando a história geológica de milhões de anos.
Nos últimos anos, Cambará do Sul viu surgir uma tendência interessante: glamping de alto padrão. São acampamentos glamourosos que combinam a experiência de estar em plena natureza com o conforto de hospedagens bem equipadas. Você dorme em tendas confortáveis com camas de verdade, aquecimento, banheiro privativo, mas acorda com vista para os cânions.
Algumas dessas estruturas de glamping incluem experiências gastronômicas diferenciadas. Jantares servidos ao ar livre, com ingredientes locais preparados por chefs que entendem de cozinha contemporânea. Imagine comer um cordeiro patagônico assado lentamente em fogo de chão, harmonizado com vinho gaúcho, enquanto o sol se põe pintando os cânions de laranja e roxo. Pode ser real!
A cidade de Cambará do Sul em si é pequena e simples, mas tem aquela hospitalidade gaúcha genuína. Restaurantes servem comida tradicional - churrasco, arroz carreteiro, massa caseira - com fartura e carinho. É o tipo de lugar onde o dono do restaurante vem conversar com você, pergunta de onde você veio, dá dicas de trilhas.
Destinos Frios Internacionais
Se os destinos brasileiros já impressionam, prepare-se porque agora vamos literalmente para outro nível de frio. Estamos falando de lugares onde o inverno não é brincadeira, onde as temperaturas podem chegar a números que parecem ficção, onde a paisagem é tão diferente do que conhecemos que parece outro planeta.
Aqui entramos no território onde o frio deixa de ser uma característica climática e se torna o próprio protagonista da experiência. São lugares onde a temperatura é tão baixa que muda completamente a forma como você interage com o ambiente, onde cada respiração é um lembrete de que você está num dos cantos mais inóspitos do planeta.
11. Antártida

A Antártida não é apenas um destino, é uma peregrinação. Para os corajosos. É o lugar mais remoto, mais frio, mais inóspito e, paradoxalmente, mais puro do planeta. Ir para a Antártida é pisar num lugar onde a humanidade quase não deixou marca, onde a natureza reina absoluta, onde você entende seu lugar no universo de um jeito que nenhum livro de filosofia consegue ensinar.
As expedições para a Antártida geralmente partem de Ushuaia, na Argentina. São cruzeiros especializados com navios reforçados contra o gelo, tripulação experiente em navegação polar, e equipe de cientistas e naturalistas que transformam a viagem numa aula de biologia, geologia e climatologia ao vivo.
A travessia da Passagem de Drake, que separa a América do Sul da Antártida, é legendária. São dois dias navegando em alguns dos mares mais revoltos do planeta, onde três oceanos se encontram criando ondas gigantescas e ventos furiosos. Muitos passageiros enjoam (mesmo com medicação), mas quando você finalmente avista os primeiros icebergs flutuando no horizonte, todo sofrimento é esquecido instantaneamente.

Os icebergs da Antártida são esculturas naturais de beleza surreal. Alguns têm dimensões de prédios, outros são pequenos como carros, mas todos compartilham aquela cor branco-azulada impossível que só gelo de milhares de anos consegue ter. A luz do sol (sim, no verão antártico o sol brilha quase 24 horas) atravessa o gelo criando tons que vão do branco puro ao azul turquesa elétrico.
As colônias de pinguins são o coração emocional de qualquer visita à Antártida. Pinguins-gentoo, pinguins-de-adélia, pinguins-imperador (estes mais raros de ver), todos vivendo suas vidas indiferentes à presença humana. Você pode sentar a poucos metros deles e observar seus comportamentos: casais se cortejando, pais alimentando filhotes, jovens aprendendo a nadar. Há algo incrivelmente tocante em ver a vida florescendo nessas condições extremas.
As focas-leopardo, predadoras temíveis, podem ser vistas descansando em blocos de gelo. São animais magníficos e perigosos, com mandíbulas poderosas capazes de partir um pinguim ao meio. Vê-las na natureza, respeitando a distância de segurança, é lembrar que a Antártida, apesar de toda beleza, é ambiente selvagem onde a luta pela sobrevivência é constante.

Algumas expedições permitem acampamento em terra firme na Antártida. Você passa a noite dentro de uma barraca, sobre o gelo, cercado pelo silêncio mais completo que existe. Não tem barulho de carros, nem aviões, nem nada. Só o vento e, ocasionalmente, o som do gelo rachando. É uma experiência de isolamento quase meditativa.
O custo de uma expedição à Antártida não é baixo. Estamos falando de investimento na casa das dezenas de milhares de reais. Mas quem vai, volta transformado. Volta com uma consciência diferente sobre mudanças climáticas, sobre a fragilidade dos ecossistemas, sobre a importância de preservar os últimos lugares intocados do planeta.
E sim, você precisa de um seguro viagem específico para regiões polares. A Antártida fica literalmente a dois dias de barco do hospital mais próximo. Qualquer emergência médica é complicação séria. Não é opcional.
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12. Oulu (Finlândia)
Oulu fica na Finlândia, mas não é a Finlândia dos cartões-postais de Helsinque. É a Finlândia do norte, perto do Círculo Polar Ártico, onde o inverno é tão longo e escuro que as pessoas desenvolveram uma relação quase mística com a luz.

A cultura Sami, povo indígena do norte da Europa, é o grande tesouro cultural de Oulu. Os Sami vivem na região há milhares de anos, criando renas, pescando, e desenvolvendo uma cultura única adaptada ao extremo frio. Hoje, você pode visitar comunidades Sami, aprender sobre suas tradições, ouvir o joik (canto tradicional Sami que é patrimônio cultural), e entender como eles mantêm suas tradições vivas num mundo moderno.
Mas o que realmente faz as pessoas viajarem para Oulu no inverno são as auroras boreais. Entre dezembro e março, nas noites claras e frias, o céu se ilumina com cortinas dançantes de luz verde, às vezes rosa ou roxa. A aurora boreal é um fenômeno natural causado por partículas solares colidindo com a atmosfera terrestre, mas explicações científicas não diminuem em nada a sensação de estar diante de algo mágico.

Ver uma aurora boreal pela primeira vez é experiência que deixa muita gente em lágrimas. As luzes se movem, pulsam, dançam pelo céu de formas que parecem impossíveis. Você fica ali, no meio da neve, com -20 graus, pescoço doendo de tanto olhar para cima, mas completamente hipnotizado por aquele espetáculo cósmico.
Oulu também oferece experiências bem finlandesas como saunas seguidas de mergulho em lago congelado. Parece loucura (e talvez seja um pouco), mas é tradição milenar. Você fica na sauna até o corpo estar fervendo, depois corre e pula num buraco cortado no gelo do lago. O choque térmico é intenso, mas a sensação depois é de euforia absoluta. Finlandeses juram que faz bem para saúde e circulação.
A culinária do norte da Finlândia é robusta e preparada para combater o frio. Ensopados de rena, peixes defumados, pães densos de centeio, bagas nórdicas preservadas. É comida que aquece e sustenta, desenvolvida ao longo de séculos para nutrir pessoas vivendo em condições extremas.
13. Svalbard, Noruega
Svalbard é um arquipélago norueguês que fica a meio caminho entre a Noruega continental e o Polo Norte. É um dos assentamentos humanos permanentes mais ao norte do planeta, um lugar onde ursos polares superam humanos em número, onde o sol não nasce durante meses no inverno (e não se põe durante meses no verão).

Longyearbyen, a capital de Svalbard, é cidade que desafia todas as expectativas. Apesar de estar numa latitude extrema, tem vida cultural ativa, restaurantes surpreendentemente bons, galerias de arte, e até uma universidade onde cientistas do mundo inteiro vêm estudar ecossistemas árticos.
Uma das regras mais famosas de Svalbard: é ilegal sair dos limites da cidade sem estar armado. Não é pegadinha nem exagero. Ursos polares são predadores do topo da cadeia alimentar, animais enormes e potencialmente perigosos. Atacam humanos raramente, mas pode acontecer. Então quem vai fazer trilhas ou explorar além das áreas urbanas precisa levar rifle (há lugares que alugam para turistas) e saber usá-lo.

Mas não deixe isso assustar você. Svalbard é destino incrível e relativamente seguro se você seguir as regras. Tours guiados levam visitantes para ver geleiras milenares, explorações de cavernas de gelo, e até expedições de barco para avistar baleias e focas.
A experiência da noite polar é única. Entre novembro e janeiro, o sol simplesmente não nasce. São meses de escuridão constante, quebrada apenas pela luz artificial da cidade e, ocasionalmente, pelas auroras boreais. Muitos acham depressivo, mas há algo profundamente contemplativo em viver nesse ciclo tão diferente.

O Svalbard Global Seed Vault, ou Cofre Global de Sementes, é uma das construções mais importantes (e secretas) do mundo. É um bunker escavado na montanha permafrost que guarda cópias de milhões de sementes de todo o planeta, uma espécie de backup da biodiversidade agrícola mundial caso aconteça alguma catástrofe.
Você não pode visitar o interior (é altamente restrito), mas o portal de entrada é ponto turístico que lembra a responsabilidade que temos com o futuro.
14. Sibéria (Rússia)
A Sibéria é vasta demais para ser descrita como um único destino. É uma região do tamanho de um continente, com variações enormes. Mas se você quer frio extremo de verdade, Yakutsk é o lugar.

Yakutsk é considerada a cidade grande mais fria do mundo. No inverno, temperaturas de -40 graus são normais. Já foram registrados -64 graus. Nessa temperatura, coisas estranhas acontecem: se você jogar água fervente para o alto, ela congela antes de cair no chão. Sua respiração forma cristais de gelo instantaneamente. Carros precisam ficar com motor ligado 24 horas ou nunca mais pegam.
Mas pessoas vivem lá. Mais de 300 mil pessoas, na verdade. E não estão apenas sobrevivendo, estão vivendo vidas completas. Há teatros, restaurantes, shoppings, vida noturna. A resiliência humana é impressionante.
A cultura Yakut (também chamados de Sakha) é fascinante. Este povo nativo siberiano desenvolveu técnicas de sobrevivência ao frio extremo ao longo de milênios. Suas tradições de construção de casas, vestimentas, alimentação, tudo é adaptado para o clima brutal. Você pode visitar museus e comunidades que preservam esse conhecimento ancestral.

O permafrost siberiano (solo permanentemente congelado) revela descobertas arqueológicas impressionantes. Mamutes preservados perfeitamente no gelo por dezenas de milhares de anos, filhotes de lobos pré-históricos, rinocerontes lanudos. Alguns museus em Yakutsk exibem essas descobertas, oferecendo janela para a Era do Gelo.
A culinária siberiana é... peculiar. Peixe cru congelado cortado em fatias finas é delicatesse local. Carne de rena, cavalo, e até urso são comuns. Vodka não é bebida, é necessidade térmica (ou assim os locais justificam).
Visitar a Sibéria não é para qualquer um. Exige preparo físico e mental, roupa adequada (camadas e mais camadas), e disposição para experiências extremas. Mas oferece perspectiva única sobre os limites da habitabilidade humana.
15. Groenlândia
A Groenlândia é lugar de superlativos: a maior ilha do mundo, 80% coberta por capa de gelo permanente, icebergs tão grandes que têm seu próprio microclima. É lugar onde a natureza opera em escala que desafia compreensão.

Ilulissat, na costa oeste, é a principal base para exploração turística. O nome significa "icebergs" em groenlandês, e faz jus. A cidade fica na foz de Ilulissat Icefjord, um dos fiordes mais ativos do mundo em produção de icebergs. Enormes blocos de gelo se desprendem da geleira e flutuam pelo fiorde, criando paisagem em constante mudança.
Você pode fazer cruzeiros entre os icebergs, navegando cuidadosamente entre massas de gelo que chegam a ter altura de prédios de dez andares. O silêncio só é quebrado pelo estalo do gelo rachando, um som profundo e primordial que lembra que você está presenciando processos geológicos em andamento.
Os vilarejos inuit da Groenlândia preservam modos de vida tradicionais. Caça de focas, pesca, construção de kayaks, tudo passado de geração em geração. Alguns vilarejos são tão remotos que só podem ser acessados de barco ou helicóptero, sem estradas conectando ao resto do mundo. A vida lá é dura mas as pessoas têm orgulho de suas raízes e tradições.
Caminhadas em geleiras são experiência surreal. Com equipamento adequado e guia experiente, você caminha sobre gelo de centenas de milhares de anos. Fendas profundas se abrem no gelo, revelando azuis impossíveis nas profundezas. Rios de água derretida cortam canais na superfície da geleira. É como caminhar em planeta alienígena.
Palco de notícias políticas, a Groenlândia também está na linha de frente das mudanças climáticas. As geleiras estão derretendo em ritmo acelerado, comunidades costeiras lidam com erosão, ecossistemas estão mudando. Visitar a Groenlândia hoje é também testemunhar transformações planetárias em tempo real.
Destinos para Esqui e Montanhismo
Para muitas pessoas, frio e neve significam uma coisa: esqui. Estes destinos são verdadeiros templos dos esportes de inverno, lugares onde a infraestrutura foi desenvolvida ao longo de décadas (às vezes séculos) para proporcionar a melhor experiência possível nas pistas. Mas mesmo se você não esquia, estes lugares oferecem beleza natural de tirar o fôlego e atividades para todos os gostos.
16. Aspen (EUA): Glamour e Esqui de Classe Mundial
Aspen é sinônimo de luxo em destinos de esqui. Esta pequena cidade no Colorado se tornou playground dos super-ricos, mas não deixa de ser acessível para mortais comuns (se você planejar bem e não se importar em gastar um pouco).
As quatro montanhas de esqui de Aspen (Aspen Mountain, Aspen Highlands, Buttermilk e Snowmass) oferecem variedade impressionante. Desde pistas verdes suaves para iniciantes até blacks diamonds aterrorizantes para esquiadores experientes, há opções para todos os níveis.

Mas Aspen não é só sobre esqui. A cidade tem cena cultural vibrante. O Aspen Music Festival traz músicos de classe mundial. Galerias de arte exibem obras de artistas renomados. Restaurantes comandados por chefs celebridades servem refeições que valem o preço (alto) que cobram.
O après-ski em Aspen é lendário. Bares e restaurantes na base das montanhas enchem de esquiadores celebrando o dia, bebendo, comendo, contando histórias de descidas épicas (que geralmente ficam mais épicas a cada cerveja). A energia é contagiante.

Para quem não esquia, Aspen oferece muito. Snowshoeing (caminhadas com raquetes de neve), passeios de trenó puxados por cães, patinação no gelo, motos de neve. Ou simplesmente ficar num café charmoso com chocolate quente vendo os esquiadores passarem.
A hospedagem em Aspen varia de hotéis cinco estrelas absurdamente luxuosos até opções mais modestas (mas ainda caras pelos padrões normais). Se você quer economia, considere ficar em cidades vizinhas como Basalt e fazer o trajeto diário.
17. Banff (Canadá)
Banff é daqueles lugares que não parece real de tão bonito. Localizado no coração do Parque Nacional Banff, nas Montanhas Rochosas canadenses, oferece combinação rara de natureza selvagem preservada e infraestrutura turística de primeiro mundo.

O Lake Louise congelado no inverno é visão que fica gravada na memória. O lago, famoso por sua cor turquesa no verão, congela completamente no inverno, criando pista de patinação natural com os picos nevados das montanhas como pano de fundo. Imagina patinar num lugar desses, com o som das lâminas cortando o gelo ecoando pelas montanhas.
As estações de esqui de Banff (Lake Louise Ski Resort e Sunshine Village) são excelentes. Neve em abundância, pistas bem mantidas, vista espetacular. Mesmo para quem nunca esquiou, as escolas de esqui locais são pacientes e eficientes.
Banff também é destino de ecoturismo sério. Trilhas de inverno levam a lugares de beleza absurda. A Johnston Canyon Icewalk é caminhada popular onde você percorre um cânion com cachoeiras completamente congeladas, criando esculturas de gelo naturais. Alguns trechos exigem caminhada sobre passarelas de metal grudadas na parede do cânion, com o rio congelado metros abaixo.
A vida selvagem em Banff é abundante. Alces, veados, carneiros selvagens, e até ursos (embora hibernem no inverno) habitam o parque. Tem que respeitar, manter distância, nunca alimentar, mas a possibilidade de encontro com animais selvagens adiciona elemento de aventura a qualquer caminhada.
As fontes termais naturais de Banff são luxo supremo após dia de esqui ou trilha. Banff Upper Hot Springs permite que você relaxe em água quente natural (39 graus) enquanto está cercado por montanhas nevadas. A sensação de estar quentinho na água enquanto floquinhos de neve caem no seu rosto é indescritível.

A cidade de Banff é adorável. Rua principal cheia de lojas, restaurantes, cafés, todos com aquela vibe de cidade de montanha. É pequena o suficiente para explorar a pé, mas tem opções suficientes para não enjoar.
O Icefields Parkway, estrada que conecta Banff a Jasper, é considerada uma das drives mais bonitas do mundo. No inverno, com tudo coberto de neve, é ainda mais impressionante. Geleiras descendo das montanhas, lagos congelados, picos nevados até onde a vista alcança. Vale a pena alugar carro e fazer esse trajeto.
18. Innsbruck (Áustria)
Innsbruck é cidade que já sediou Olimpíadas de Inverno duas vezes, então você sabe que o esqui aqui é coisa séria. Mas o que torna Innsbruck especial é como ela combina esportes de inverno de altíssimo nível com história e cultura ricas.

O centro histórico de Innsbruck é lindíssimo. Construções medievais e barrocas, ruas de paralelepípedo, a famosa Goldenes Dachl (Telhado Dourado) com suas 2.657 telhas de cobre banhadas a ouro. Você pode esquiar pela manhã e fazer turismo cultural à tarde.
As montanhas ao redor de Innsbruck oferecem opções para todos os níveis de esquiadores. A Nordkette, acessível por funicular direto do centro da cidade, leva você de área urbana a 2.000 metros de altitude em menos de 30 minutos. Lá em cima, a vista é de 360 graus sobre os Alpes.
Para quem busca adrenalina máxima, a pista Harakiri em Mayrhofen tem inclinação de 78%, uma das mais íngremes da Áustria. Não é para iniciantes (nem para intermediários, se formos honestos).

Sobre a culinária: Käsespätzle (massa com queijo), schnitzel (bife à milanesa austríaca), strudel de maçã, tudo acompanhado de cerveja austríaca gelada ou vinho quente temperado. É comida que aquece por dentro e combina perfeitamente com o frio.
Innsbruck também tem excelente vida noturna. Bares tradicionais tiroleses onde você pode beber glühwein (vinho quente) e comer pretzel, clubes modernos com DJs, cervejarias artesanais. Há opções para todos os gostos.
O Swarovski Kristallwelten (Mundos de Cristal Swarovski), a poucos quilômetros de Innsbruck, é atração única. É museu e loja dedicados aos cristais Swarovski, com instalações artísticas impressionantes criadas por artistas renomados. Mesmo quem não é fã de cristais se impressiona com a criatividade das exposições.
19. Wengen (Suíça)
Wengen é sonho de qualquer pessoa que idealiza vilas alpinas perfeitas. Este pequeno vilarejo nos Alpes Berneses suíços é livre de carros (você só chega de trem), preservando uma tranquilidade e charme que estão desaparecendo do mundo.
Chegar em Wengen já é experiência. O trem de cremalheira sobe lentamente pela montanha, oferecendo vistas progressivamente mais espetaculares. Quando você finalmente chega e pisa na estação, é como entrar numa cápsula do tempo.

As ruas são silenciosas, quebradas apenas pelo som de passos na neve e, ocasionalmente, o tilintar de sinos de vacas (sim, mesmo no inverno). Chalés de madeira com flores nas janelas (até no inverno algumas pessoas mantêm), montanhas gigantescas de todos os lados, ar tão puro que dói respirar fundo.
Wengen faz parte da região de esqui de Jungfrau, com acesso a pistas que vão até 3.000 metros de altitude. A variedade é enorme, mas o que realmente impressiona é a vista. Você esquia com o Eiger, o Mönch e o Jungfrau (três dos picos mais famosos dos Alpes) sempre visíveis.
O Jungfraujoch, conhecido como "Topo da Europa", é passeio obrigatório. Um trem te leva até estação ferroviária mais alta da Europa, a 3.454 metros. Lá em cima tem plataforma de observação com vista de 360 graus dos Alpes, Palácio de Gelo escavado na geleira, e aquela sensação de estar no topo do mundo.

Wengen é destino caro, não vamos mentir. A Suíça já é cara por natureza, e destinos alpinos cobram premium. Mas a experiência é tão especial, tão única, que muita gente considera que vale cada franco suíço gasto.
Os restaurantes de Wengen servem cozinha suíça tradicional. Fondue de queijo preparado na sua mesa, raclette (queijo derretido raspado sobre batatas), rösti (batata ralada e frita), tudo acompanhado de vinho suíço. É gordice necessária para combater o frio e as calorias queimadas no esqui.
Para casais, especialmente em lua de mel, Wengen é perfeito. Romântico sem ser piegas, bonito sem ser artificial, tranquilo sem ser entediante. Muitos hotéis têm quartos com vista para os Alpes, lareira, banheiras perfeitas para banhos relaxantes após dia de esqui.
Destinos frios na America do Sul
Às vezes você quer a experiência completa de neve e frio intenso, mas não quer lidar com voos transatlânticos intermináveis, jet lag brutal, ou a complicação logística de destinos muito distantes. Para isso, temos opções fantásticas aqui mesmo na América do Sul, lugares que oferecem qualidade comparável a destinos europeus ou norte-americanos, mas com a vantagem da proximidade.
20. Ushuaia (Argentina)
Ushuaia carrega o título de cidade mais austral do mundo com orgulho. "El Fin del Mundo" não é apenas slogan turístico, é realidade geográfica. Estar ali é sentir que você chegou ao limite da civilização, que depois disso é só Antártida e oceano gelado.

A localização de Ushuaia, entre montanhas e o Canal de Beagle, cria cenários dramáticos. No inverno, as montanhas ficam completamente brancas, o canal congela parcialmente, e a cidade ganha atmosfera de fronteira última da humanidade.
O Parque Nacional Tierra del Fuego é maravilha natural que deve estar em qualquer roteiro. Trilhas levam através de florestas de lengas (árvores nativas que no inverno ficam completamente sem folhas, criando esqueletos fantásticos), margens de lagos congelados, e até o fim da Ruta Nacional 3, a estrada pan-americana que começa no Alasca e termina ali. Tem placa marcando: "Aqui termina a Ruta 3". É foto obrigatória.

O Cerro Castor é estação de esqui mais austral do mundo, e tem neve de qualidade excepcional. A temporada aqui é de junho a outubro, quando o resto do mundo está em outras estações. Para brasileiros, esquiar em julho em Ushuaia é perfeito timing.
A navegação pelo Canal de Beagle é experiência inesquecível. Barcos levam você para ver colônias de pinguins-magalhânicos, leões-marinhos preguiçosos descansando em rochas, cormorões, e o famoso Farol Les Eclaireurs (muita gente chama de Farol do Fim do Mundo, embora tecnicamente seja outro farol). A friagem que vem do mar é penetrante, mas a vida selvagem compensa.

Ushuaia tem vibe única, mistura de cidade portuária trabalhadora com destino turístico. Você vê pescadores consertando redes ao lado de lojas de equipamento de esqui caríssimo. Restaurantes servem centolla (caranguejo-rei) fresco pescado nas águas geladas, preparado de formas que vão do simples ao gourmet.
A cervejaria Beagle, primeira cervejaria do fim do mundo, produz cervejas artesanais excelentes usando água pura das geleiras. Fazer tour pela cervejaria, aprender sobre o processo, e degustar enquanto conversa com os produtores é programa perfeito para fim de tarde.
O Trem do Fim do Mundo é passeio turístico que percorre trilhos que antigamente levavam prisioneiros até campos de trabalho. Hoje é trem confortável que passa por paisagens lindas enquanto guia conta a história da região. É meio turístico, sim, mas divertido.
21. Valle Nevado, Chile
Valle Nevado resolve um problema que muitos destinos de esqui têm: acessibilidade. Está a apenas 60 quilômetros de Santiago, capital do Chile, conectado por estrada que, embora sinuosa, é bem mantida e transitável.

Você pode literalmente estar tomando café da manhã em Santiago, esquiar o dia todo em Valle Nevado, e jantar de volta na capital. Essa facilidade logística faz del destino popular para quem tem tempo limitado ou está combinando esqui com outros roteiros no Chile.
A estação de esqui em si é moderna e bem equipada. São mais de 40 pistas, teleféricos de última geração, instrutores qualificados, aluguel de equipamento de qualidade. Para iniciantes, há pistas verdes gentis. Para experientes, há blacks que desafiam até os melhores.
A altitude de Valle Nevado (base a 3.025 metros, topo a 3.670 metros) garante neve de qualidade a temporada toda (junho a setembro). A vista do alto das pistas, com a Cordilheira dos Andes se estendendo até onde a vista alcança, é compensação extra para o esforço de subir.
Os hotéis na base de Valle Nevado são confortáveis e oferecem a conveniência de estar a passos das pistas. Acordar, tomar café, e em 10 minutos estar esquiando é luxo que poucos lugares oferecem. Alguns hotéis têm spas excelentes, perfeitos para relaxar músculos cansados após dia inteiro de esqui.

A vida noturna em Valle Nevado é animada durante alta temporada. Bares e pubs enchem de esquiadores de todas as nacionalidades, criando atmosfera internacional. Brasileiros, argentinos, chilenos, americanos, europeus, todos compartilhando histórias e celebrando o dia.
A gastronomia melhora a cada ano. Restaurantes na estação servem desde fast food para almoço rápido até jantares elaborados com influências internacionais. Vinhos chilenos excelentes (e mais baratos que no Brasil) acompanham as refeições.
Para quem não esquia, há opções. Snowboard (Valle Nevado é muito popular entre snowboarders), trenós, construir bonecos de neve, ou simplesmente relaxar admirando a paisagem enquanto outros se cansam nas pistas.
Como Aproveitar o Frio ao Máximo
Viajar para destinos frios exige preparação diferente de viagens tropicais. Não é só jogar uma jaqueta na mala e torcer pelo melhor. Há arte e ciência em se vestir adequadamente, em proteger sua saúde, em garantir que a experiência seja prazerosa e não sofrimento. A regra de ouro é vestir-se em camadas.
Parece conselho óbvio, mas muita gente erra nisso. A primeira camada deve ser térmica, geralmente uma camiseta de tecido que afasta umidade da pele. Algodão é péssima escolha para primeira camada porque retém suor e deixa você molhado e gelado. Prefira tecidos sintéticos ou lã merino que mantêm isolamento térmico mesmo quando úmidos.
A segunda camada é isolante. Fleece é escolha popular e eficiente. Alguns preferem jaquetas leves de pluma. O importante é ter algo que crie bolsão de ar quente ao redor do corpo. A terceira camada é proteção contra elementos. Jaqueta impermeável e corta-vento é essencial.
As extremidades perdem calor rapidamente. Gorro de qualidade que cubra as orelhas é não-negociável. Você perde até 40% do calor corporal pela cabeça, então protegê-la é prioridade. Luvas devem ser impermeáveis se você vai lidar com neve. Luvas de lã são lindas mas ficam encharcadas.

Meias térmicas são investimento que seus pés agradecem. Meias de algodão comuns não aguentam o frio de verdade. Calçados adequados fazem toda diferença. Botas impermeáveis com isolamento térmico e solado antiderrapante são essenciais.
Neve e gelo são escorregadios, e torcer tornozelo porque estava usando tênis comum é jeito rápido de estragar uma viagem. Algumas botas vêm com spikes retráteis para gelo, investimento excelente para quem vai para lugares muito frios. Protetor solar é crucial, mesmo (especialmente!) no frio. A neve reflete até 80% dos raios UV, o que significa que você toma sol de baixo e de cima simultaneamente.
Queimaduras de sol em destinos de neve são comuns e dolorosas. Use FPS alto e reaplique frequentemente. Hidratação é mais importante do que você imagina. O ar frio e seco desidrata rapidamente, mas como você não sente calor, esquece de beber água. Leve garrafa térmica com água ou chá quente e force-se a beber regularmente. Desidratação em altitude combinada com frio pode causar dores de cabeça, fadiga e piorar sintomas de mal de altitude.
Óculos de sol de boa qualidade protegem não apenas dos raios UV mas também do reflexo intenso da neve, que pode causar "cegueira da neve" (photokeratitis), condição temporária mas muito dolorosa. Hidratante labial com FPS é necessidade, não luxo. Lábios rachados no frio são inevitáveis sem proteção adequada. Hidratante para rosto e mãos também, porque o ar seco resseca pele rapidamente.
Baterias de eletrônicos duram muito menos no frio. Se você planeja fotografar bastante (e vai querer, acredite), leve baterias extras e mantenha-as no bolso interno da jaqueta, próximo ao corpo, para conservar carga. Quando não estiver usando a câmera, guarde dentro do casaco também. Um cuidado importante com câmeras: ao entrar em lugares aquecidos vindo do frio extremo, não tire a câmera da bolsa imediatamente.
Deixe ela aclimatizar dentro da bolsa por 10-15 minutos, caso contrário a condensação pode formar umidade dentro da câmera e danificar eletrônicos. Dinheiro em espécie é sempre boa ideia, especialmente em lugares mais remotos onde cartões podem não funcionar ou conexão de internet é instável.
Guarde o dinheiro próximo ao corpo para não congelar (notas congeladas são difíceis de manusear). Snacks energéticos são essenciais para trilhas e dias de esqui. Barras de cereal, nuts, chocolate, frutas secas. Seu corpo queima muito mais calorias tentando se manter aquecido, então você vai sentir fome mais frequentemente.
E por fim, mas definitivamente não menos importante: seguro viagem com cobertura adequada. Para destinos de esqui, certifique-se de que o seguro cobre esportes de inverno. Para lugares remotos, verifique se há cobertura para evacuação médica de emergência, que pode ser extremamente cara em regiões isoladas.
__CALLTOACTION(COTAR)__
Um bom seguro cobre não apenas emergências médicas mas também extravio de bagagem (imagine perder suas roupas de frio no aeroporto), cancelamento de voos devido a nevascas, e até equipamento de esqui danificado. É tranquilidade que permite que você aproveite sem preocupações. Até a próxima!



