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Por Isabelle Soares • Real Seguro Viagem em 01/10/26 às 10:59.

Lugares onde as pessoas vivem mais: 5 destinos para conhecer

Há lugares em que chegar aos 90 ou 100 anos aparece com frequência suficiente para ter virado tema de estudos demográficos, livros e documentários. Okinawa, no sul do Japão, a Sardenha, na Itália, Ikaria, na Grécia, a Península de Nicoya, na Costa Rica, e Loma Linda, na Califórnia, ficaram conhecidas mundialmente como as cinco Blue Zones popularizadas pelo escritor e pesquisador Dan Buettner em livros como The Blue Zones Secrets for Living Longer.

A curiosidade começa pela idade dos moradores, mas fica bem mais interessante quando se olha para a rotina. Em comum, aparecem refeições ligadas à cultura local, movimento incorporado ao dia a dia, relações sociais duradouras e alguma noção de propósito. É justamente por isso que livros tão diferentes quanto Ikigai, de Héctor García e Francesc Miralles, e Outlive, de Peter Attia e Bill Gifford, ajudam a olhar para esses destinos por ângulos distintos.

Ikigai usa Okinawa como uma de suas grandes referências para discutir propósito e envelhecimento. Já Outlive propõe olhar não só para quantos anos alguém vive, mas para quanto desse tempo é preservado com saúde física, cognitiva e emocional. Essa diferença ajuda a entender esta viagem: longevidade não é apenas contar aniversários. É observar como as pessoas envelhecem e em que contexto isso acontece.

Só existe um cuidado importante antes de embarcar nessa história. As cinco Blue Zones clássicas não têm exatamente o mesmo nível de validação científica. Uma revisão sobre o conceito demográfico de Blue Zones publicada em 2025 reconhece Okinawa, Sardenha, Nicoya e Ikaria como regiões validadas e apresenta a Martinica como uma nova área de longevidade. Outra revisão de escopo publicada em 2026 considerou Ogliastra, Okinawa e Nicoya os casos com evidências mais bem caracterizadas e observou a ausência de estudos específicos de longevidade conduzidos em Loma Linda.

 

O que faz um lugar ser associado à longevidade?

Um lugar passa a ser associado à longevidade quando dados populacionais mostram uma concentração incomum de pessoas que chegam a idades avançadas e quando essas idades podem ser verificadas em registros confiáveis. No caso das Blue Zones, o conceito começou com trabalhos demográficos sobre populações muito longevas e depois ganhou enorme projeção por meio dos livros e reportagens de Dan Buettner.

A revisão científica publicada em 2025 por Michel Poulain e Anne Herm explica que a identificação de uma Blue Zone envolve validação de idade e análise de indicadores demográficos. O trabalho reconhece quatro regiões historicamente validadas, Okinawa, Sardenha, Nicoya e Ikaria, e apresenta a Martinica como uma nova área de longevidade.

Já uma revisão de escopo sobre as evidências existentes, publicada em 2026 após analisar 65 trabalhos, encontrou dez regiões descritas na literatura como Blue Zones ou possíveis Blue Zones. Entre elas, Ogliastra, Okinawa e Nicoya apresentaram indicadores de longevidade superiores às médias nacionais analisadas pelos autores.

Isso ajuda a separar pesquisa de marketing turístico. Uma vila pode incorporar a longevidade à própria identidade sem que isso prove que determinado alimento, horário ou costume prolonga a vida. Uma revisão publicada na revista Maturitas faz justamente esse alerta: encontrar um padrão alimentar em uma população longeva não demonstra que ele, isoladamente, seja responsável por sua longevidade.

A leitura mais interessante está no conjunto. Genética, ambiente, alimentação, atividade física, relações sociais, condições econômicas e história local podem se combinar de formas diferentes. No livro The Blue Zones Secrets for Living Longer, Buettner organiza suas observações em torno de temas como propósito, comunidade, descanso, movimento cotidiano e alimentação predominantemente vegetal.

O livro funciona como uma boa porta de entrada para o assunto, desde que suas sínteses sejam lidas junto de pesquisas demográficas e epidemiológicas. Para o viajante, isso também muda o jeito de conhecer cada lugar. Esses destinos combinam bastante com a proposta de slow travel, com tempo para mercados, pequenas cidades, refeições, caminhadas e contato com a rotina local.

Como é conhecer Okinawa pela lente do ikigai?

Conhecer Okinawa pela lente da longevidade significa sair do circuito mais urbano e olhar especialmente para o norte da ilha principal, onde fica Ogimi. A pequena comunidade é conhecida localmente como “vila da longevidade” e reúne paisagem rural, floresta, litoral, agricultura e uma rotina comunitária que aparece tanto nos livros quanto nas pesquisas sobre envelhecimento em Okinawa.

O próprio guia oficial de turismo de Okinawa apresenta Ogimi dessa forma e destaca a possibilidade de hospedagens em casas de moradores, além da relação da comunidade com atividades sociais, alimentação local e um ritmo cotidiano menos acelerado.

O Okinawa Centenarian Study começou em 1975 e se tornou um dos estudos populacionais mais conhecidos sobre pessoas muito idosas. Segundo uma revisão sobre os centenários de Okinawa publicada em 2016, mais de mil centenários haviam sido examinados pelo projeto até 2015.

Trabalho, rotina e participação social também entram nas conversas sobre envelhecimento.


A confiabilidade das idades registradas também foi investigada. Um estudo específico de validação dos centenários de Okinawa comparou idades declaradas com documentação e indicadores demográficos e concluiu que o sistema de registro analisado era confiável.

É aqui que Ikigai: O segredo japonês para uma vida longa e feliz, de Héctor García e Francesc Miralles, ganha contexto. Os autores foram até Okinawa para conhecer hábitos e rotinas de moradores e usam a ilha como uma de suas referências para apresentar a ideia japonesa de ikigai, associada ao propósito ou à razão para viver.

O livro funciona melhor como lente cultural do que como comprovação médica. Não existe uma pesquisa demonstrando que ter um ikigai, sozinho, explique a longevidade dos habitantes de Okinawa. A questão interessante é perceber como propósito, trabalho, relações sociais e participação comunitária aparecem juntos em uma população onde o envelhecimento vem sendo estudado há décadas.

Ogimi mostra outra face de Okinawa

O Visit Okinawa Japan descreve uma mesa local com vegetais, algas, tofu, leguminosas, frutas e carne suína. O guia também mostra moradores trabalhando, participando de atividades comunitárias e mantendo uma relação próxima com florestas, rios e áreas costeiras.

Essa parte da viagem conversa diretamente com The Okinawa Program, de Bradley J. Willcox, D. Craig Willcox e Makoto Suzuki. Os autores estão ligados ao Okinawa Centenarian Study, o que aproxima o livro das pesquisas populacionais realizadas na ilha.

Mercados são uma boa janela para observar a alimentação e a rotina local.


Uma passagem por Ogimi combina com alguns dias no norte de Okinawa, aproveitando florestas, rios e litoral sem concentrar toda a viagem em Naha. Se a ilha entrar em um roteiro maior pelo país, o guia da Real para a primeira viagem ao Japão ajuda a organizar documentos, deslocamentos, moeda e outras etapas do planejamento.

Também é interessante conferir as particularidades do seguro viagem para o Japão antes do embarque, especialmente se o roteiro incluir áreas rurais, trilhas ou atividades em diferentes partes do arquipélago.

O ponto mais interessante talvez seja resistir à caça por uma receita secreta. Okinawa acumulou décadas de pesquisa, mas sua alimentação, economia e estilo de vida mudaram ao longo das gerações. A literatura sobre alimentação nas Blue Zones chama atenção justamente para esse problema: padrões alimentares não permanecem congelados no tempo.

O cotidiano também ajuda a contar a história dos lugares associados à longevidade.


Como é visitar a Sardenha dos centenários?

Visitar a Sardenha pela história da longevidade leva o roteiro para o interior montanhoso de Ogliastra, na porção centro-oriental da ilha. É uma Sardenha diferente da imagem concentrada nas praias: pequenas cidades, estradas entre montanhas, sítios arqueológicos, produção rural e comunidades onde a presença de pessoas muito idosas chamou a atenção dos demógrafos.

A pesquisa sobre longevidade sarda antecede a fama internacional das Blue Zones. O estudo AKEntAnnos sobre longevidade extrema na Sardenha, publicado em 1999, investigou centenários de toda a ilha e apresentou a região como um cenário especialmente interessante para estudar envelhecimento devido a características históricas e populacionais.

A Sardenha alterna vilas de montanha e um litoral de águas cristalinas.


Um dos nomes mais associados a essa história é Villagrande Strisaili. O portal oficial de turismo da Sardenha apresenta o município como uma vila da longevidade e destaca sua concentração de moradores que chegaram aos 100 anos em relação ao número de nascimentos.

A cidade fica a cerca de 750 metros de altitude, no coração de Ogliastra, cercada por montanhas, vales, rios e florestas. O mesmo guia oficial destaca ainda a presença de vestígios arqueológicos e paisagens que ajudam a explicar por que visitar a região pede alguns dias de estrada e não apenas uma parada rápida.

O que colocar no roteiro de Ogliastra

A região funciona especialmente bem para quem gosta de combinar natureza, arqueologia e cidades pequenas. Villagrande Strisaili guarda sítios pré-históricos e paisagens de montanha, enquanto outras localidades de Ogliastra acrescentam cavernas, trilhas, áreas costeiras e pequenas comunidades ao roteiro.

A comida inevitavelmente entra na conversa. Culurgiones, pães, legumes, queijos, carnes e vinho fazem parte do repertório sardo, mas escolher um desses itens e apontá-lo como responsável pelos centenários seria uma simplificação. A revisão sobre dieta e longevidade nas Blue Zones ressalta que os padrões alimentares locais são diversos e mudam ao longo do tempo.

É aí que The Blue Zones Kitchen, de Dan Buettner, funciona bem como leitura gastronômica. O livro reúne cem receitas inspiradas nas comunidades associadas às Blue Zones e aproxima o leitor dos ingredientes e modos de cozinhar encontrados nesses territórios.

Para montar um roteiro maior, Ogliastra pode entrar depois de outras regiões da Sardenha ou virar o centro de alguns dias no interior da ilha. Quem ainda está começando a organizar o país encontra uma visão geral no guia da Real para viagem à Itália.

Como a Itália integra o Espaço Schengen, também é importante conferir as regras e coberturas do seguro viagem para a Itália antes de fechar o planejamento.

Como é viajar por Ikaria em um ritmo mais lento?

Viajar por Ikaria é entrar em uma ilha grega onde ritmo cotidiano, festas comunitárias e povoados montanhosos são parte central da visita. O site oficial de turismo da Grécia apresenta Ikaria como a “ilha dos festivais e da longevidade” e destaca suas fontes termais, vilarejos e os tradicionais panigyria.

Um estudo observacional com 71 moradores de 90 anos ou mais de Evdilos e Raches encontrou contato social diário em 77,9% dos participantes. Entre os entrevistados, 62% frequentavam os panigyria e 71,8% apresentavam níveis moderados ou altos de atividade física.

Os números descrevem aquela população e não demonstram que essas características, isoladamente, tenham causado sua longevidade. Ainda assim, eles ajudam a entender por que vida social e movimento aparecem com tanta frequência nas discussões sobre a ilha.

Seychelles Beach mostra a face mais paradisíaca de Ikaria.


Os panigyria também são parte da viagem. Música, comida, vinho e dança reúnem moradores de diferentes idades durante celebrações espalhadas pelas vilas. Em vez de existir apenas como atração montada para turistas, a festa continua ligada à vida comunitária local.

Ikaria pede espaço livre na agenda

Ikaria fica no mar Egeu e possui aeroporto com conexões domésticas. Segundo o Visit Greece, o voo entre Atenas e a ilha dura aproximadamente 55 minutos. Depois de chegar, o roteiro pode incluir praias, fontes termais, vilas costeiras e povoados de montanha.

Christos Rachon é uma das localidades que ajudam a entender o ritmo peculiar da ilha. O próprio turismo oficial grego destaca que os estabelecimentos do vilarejo costumam funcionar durante a noite, acompanhando hábitos locais que fogem do horário comercial encontrado em muitos outros destinos.

Esse é um destino em que uma agenda excessivamente preenchida trabalha contra a viagem. Escolher uma base e reservar tempo para caminhar, conhecer vilarejos, encontrar uma celebração local ou passar algumas horas nas termas combina melhor com a proposta.

Ikaria combina vilarejos, praias e um ritmo de viagem bem mais lento.


Para organizar o restante do país, veja também o guia da Real sobre o que fazer na Grécia. Antes do embarque, o conteúdo sobre seguro viagem para a Grécia reúne as informações específicas para quem vai incluir o país no roteiro.

As pesquisas também ajudam a evitar romantizações. Longevidade excepcional não significa ausência de doença, dificuldade de acesso a serviços ou mudanças entre gerações. O interesse científico por Ikaria está justamente em observar como fatores sociais, ambientais e de saúde se relacionam ao longo do tempo.

Esse detalhe conversa bastante com Outlive, de Peter Attia e Bill Gifford. O livro trabalha com a ideia de preservar saúde física, cognitiva e emocional durante o envelhecimento, em vez de observar somente a quantidade total de anos vividos.

Como é conhecer a Península de Nicoya de perto?

Conhecer a Península de Nicoya pelo tema da longevidade significa olhar para além das praias famosas de Guanacaste e incluir pequenas cidades e áreas rurais no roteiro. Segundo o Instituto Costarriquenho de Turismo, a área associada à Blue Zone inclui os cantões de Hojancha, Nandayure, Carrillo, Santa Cruz e Nicoya.

Nicoya tem uma base demográfica particularmente interessante. Um estudo que acompanhou mais de 16 mil idosos costarriquenhos encontrou menor mortalidade entre homens idosos da região em comparação com homens de outras partes do país.

Aos 60 anos, os homens de Nicoya analisados apresentavam expectativa de vida cerca de 2,2 anos maior. A vantagem observada estava ligada principalmente à menor mortalidade cardiovascular e não apareceu da mesma maneira entre as mulheres estudadas.

Praias e comunidades rurais dividem espaço na Península de Nicoya.


Outro detalhe chamou a atenção dos pesquisadores: a vantagem encontrada desaparecia entre pessoas que haviam saído de Nicoya. Esse resultado aumentou o interesse pelo papel do ambiente e do contexto social, embora não permita reduzir a explicação a um único fator.

A viagem por Nicoya mistura praia e interior

A península é ampla, então o roteiro muda bastante conforme a base escolhida. A cidade de Nicoya tem mercado e patrimônio ligado à cultura Chorotega. Já San Vicente de Nicoya e Guaitil são conhecidos pela produção tradicional de cerâmica.

O site oficial Visit Costa Rica explica que as técnicas de cerâmica em Guaitil e San Vicente são transmitidas entre gerações e continuam fazendo parte da identidade cultural de Guanacaste.

Quem quiser misturar essa parte cultural com natureza encontra praias, áreas protegidas, florestas secas e regiões de observação de fauna em diferentes partes da península. A variedade permite dividir a viagem entre costa e interior sem transformar Nicoya apenas em uma parada ligada ao tema da longevidade.

A alimentação é outro ponto bom para desmontar a ideia de “superalimento”. O estudo demográfico de Nicoya descreve uma alimentação tradicional com itens como arroz e feijão e discute características nutricionais observadas na população. O interesse científico está no padrão alimentar dentro de um contexto social e ambiental maior.

Para explorar o país com mais calma, o guia da Real sobre o que fazer na Costa Rica ajuda a montar a parte de praias, florestas, vulcões e outros destinos e reservar alguns dias para as comunidades de Nicoya.

Talvez seja justamente ali que a ideia das Blue Zones fique mais concreta. Clima, deslocamento, vida familiar, alimentação e relações comunitárias formam um contexto difícil de separar em pequenas regras. A pesquisa continua tentando entender quais elementos têm maior peso e para quais grupos eles realmente se aplicam.

O roteiro por Nicoya mistura praias, florestas e pequenas comunidades.


Como é visitar Loma Linda, na Califórnia?

Visitar Loma Linda significa conhecer o caso mais diferente entre as cinco Blue Zones clássicas. Em vez de uma ilha ou região rural historicamente isolada, trata-se de uma pequena cidade do sul da Califórnia cuja ligação com a longevidade está associada à presença adventista e a décadas de estudos sobre alimentação, estilo de vida e saúde.

A história da cidade ajuda a entender essa relação. Segundo a prefeitura de Loma Linda, a Igreja Adventista do Sétimo Dia comprou em 1905 um antigo resort de saúde e instalou no local um sanatório e uma escola de enfermagem. O complexo cresceu e deu origem à Loma Linda University e ao centro médico.

Loma Linda é o caso mais urbano entre os cinco destinos da longevidade.


Os Adventist Health Studies acompanham populações adventistas da Califórnia há décadas. De acordo com os resultados publicados pelo Adventist Health Study, participantes homens do AHS-1 apresentaram longevidade média 7,3 anos maior em comparação com outros homens californianos, enquanto entre as mulheres a diferença estimada foi de 4,4 anos.

Os pesquisadores também identificaram associações entre maior expectativa de vida e fatores como não fumar, manter peso corporal mais baixo, fazer atividade física regularmente, seguir alimentação vegetariana e consumir nozes com frequência.

Por que Loma Linda exige uma nota de rodapé

A revisão científica publicada em 2026 encontrou literatura sobre adventistas e longevidade, mas informou não ter encontrado estudos específicos conduzidos em Loma Linda que demonstrassem uma concentração geográfica de longevidade comparável aos casos mais bem caracterizados.

Por isso, tratar a cidade como equivalente demográfico perfeito a Okinawa, Ogliastra ou Nicoya seria impreciso. Loma Linda segue relevante porque mostra como religião, comunidade e normas sociais podem organizar comportamentos compartilhados e porque a população adventista da Califórnia possui uma longa história de acompanhamento epidemiológico.

Para o viajante, Loma Linda funciona melhor como uma parada temática dentro de um roteiro pelo sul da Califórnia do que como uma cidade repleta de atrações turísticas. A universidade, a história ligada à medicina e a própria organização da comunidade são o centro dessa curiosidade.

Como o roteiro acontece nos Estados Unidos, também é um bom momento para conferir as coberturas e características do seguro viagem para os Estados Unidos antes do embarque.

O sul da Califórnia guarda uma das comunidades mais estudadas quando o tema é longevidade.


O que esses cinco lugares longevos têm em comum?

Os cinco lugares costumam ser associados a alimentação com forte presença de alimentos pouco processados, movimento incorporado à rotina, vínculos sociais e algum tipo de propósito ou estrutura comunitária. A força de cada elemento, porém, muda bastante de uma população para outra, e a pesquisa disponível não sustenta uma fórmula universal capaz de explicar todos os casos.

A revisão de escopo publicada em Aging and Disease encontrou fatores associados à longevidade que incluem alimentação, atividade física, clima, genética e isolamento geográfico. O próprio trabalho ressalta que a quantidade e a qualidade das evidências não são iguais em todas as regiões chamadas de Blue Zones.

Em Okinawa, estudos acompanham centenários há décadas e investigam genética, alimentação e saúde funcional. Na Sardenha, pesquisas demográficas analisaram populações concentradas em áreas montanhosas. Em Nicoya, a vantagem encontrada foi especialmente forte entre homens idosos. Em Ikaria, estudos descrevem atividade física e participação social. Em Loma Linda, a base epidemiológica vem principalmente da população adventista da Califórnia.

Essa diversidade é uma das partes mais interessantes do tema. Os lugares não comem a mesma coisa, não têm a mesma religião, não vivem no mesmo clima e não organizam a família do mesmo jeito. O que reaparece são ambientes onde vários comportamentos associados à saúde fazem parte da rotina e das relações sociais.

Também existe diferença entre o que Dan Buettner reuniu em seu modelo popular das Blue Zones e aquilo que a literatura científica consegue estabelecer como causa. Livros como The Blue Zones ajudam a organizar as observações feitas em diferentes comunidades, mas não substituem pesquisas específicas sobre cada fator.

É por isso que Outlive funciona como contraponto interessante. Peter Attia parte da medicina preventiva e discute doenças cardiovasculares, câncer, doenças neurodegenerativas, metabolismo, atividade física e saúde emocional. Já os estudos populacionais das Blue Zones começam pelo ambiente e pelas pessoas que envelheceram dentro dele.

Para quem está viajando, existe uma vantagem em não procurar uma conclusão pronta. Caminhar porque a vila é caminhável, conversar porque a praça continua sendo ponto de encontro, provar aquilo que faz parte da cozinha local e participar de eventos que reúnem diferentes gerações já diz bastante sobre esses lugares. Não é preciso converter cada hábito em promessa de chegar aos 100 anos.

Livros sobre longevidade para continuar a viagem

Os melhores livros para acompanhar esse tema cumprem papéis diferentes. Alguns são relatos culturais e obras de divulgação. Outros se aproximam da pesquisa médica ou populacional. Ler cada um pelo que ele se propõe a fazer ajuda a não misturar observação cultural, hipótese e evidência científica.

Como planejar uma viagem por destinos de longevidade

Planejar uma viagem pelos lugares conhecidos pela longevidade funciona melhor quando cada um entra em um roteiro regional maior. Okinawa pede dias além de Ogimi. Ogliastra merece tempo no interior da Sardenha. Ikaria combina com uma passagem menos acelerada pela Grécia. Nicoya pode dividir o roteiro entre costa e interior. Loma Linda entra com facilidade em uma viagem pelo sul da Califórnia.

O ponto em comum é o ritmo. Se a curiosidade é entender como essas comunidades vivem, passar poucas horas e seguir imediatamente para outra cidade reduz bastante o contato com o assunto. Mercados, refeições, caminhadas, conversas e eventos locais aparecem quando existe algum espaço sem programação rígida.

Viajar com mais tempo muda até a forma de perceber um destino.


Também é bom lembrar que várias dessas localidades são comunidades pequenas e com população envelhecida. Respeitar moradores, evitar transformar pessoas idosas em atração turística e priorizar serviços conduzidos por gente da própria região são escolhas coerentes com o tipo de viagem que essa pauta propõe.

Para viajantes mais velhos, a Real também tem um guia específico sobre viagem na terceira idade, com orientações para organizar destinos, hospedagem, saúde e ritmo do roteiro. Em qualquer idade, viagens internacionais mais longas pedem atenção à cobertura médica, à duração do plano e às atividades previstas.

Na hora de contratar, também ajuda entender como comprar e comparar um seguro viagem de acordo com o destino e o perfil dos viajantes.